quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Crenças, verdade e função

Algumas vezes, as crenças místicas, apesar de nitidamente inverossímeis, são funcionais do ponto de vista individual e/ou social (pois num ambiente onde a maioria crê numa afirmação mística, ser também um crente facilita a socialização). E algumas vezes, o conhecimento da verdade não é funcional, individual e/ou socialmente (Spinoza que o diga - v. abaixo o post com o resumo da biografia deste filósofo).

Esta é apenas uma das peças que a natureza prega no ser humano. E, frente a isto, não creio que se deva renunciar à verdade, mas sim encontrar meios de torná-la funcional e socialmente aceitável. O que nem sempre é uma tarefa fácil, sobretudo quando a crença mística inverossímil encontra-se incorporada na cultura e nas tradições de um povo ou grupo social.

sábado, 23 de julho de 2011

Peter Joseph, Movimento Zeitgeist e as comunidades auto-sustentáveis



Para saber mais sobre o Movimento Zeitgeist, vale a pena ler: http://movimentozeitgeist.com.br/missao

No site há muitas ideias interessantes, notadamente aquelas ligadas a mudanças de valores e mudanças culturais. Mas nos textos do movimento não está claro de que forma, exatamente, seria possível realizar a transição da atual "economia monetária competitiva consumista e irracional" para uma "economia comunitária baseada na distribuição racional e justa de recursos" (chamada sinteticamente de "economia de recursos" no site do movimento).

E eles também não discutem o fato de que diversas tentativas anteriores de criar sociedades sem dinheiro fracassaram. Acho que se o movimento quiser se expandir realmente, deve abordar de modo claro e específico tais questões, e apresentar respostas aceitáveis.

Talvez um caminho possível para atingir a "economia comunitária baseada na distribuição racional e justa de recursos" seja a difusão paulatina de comunidades independentes auto-sustentáveis, como Auroville, na Índia (http://www.auroville.org/ ; http://www.aurovilleradio.org/ ; http://viagensculturais.wordpress.com/2010/06/26/auroville-%E2%80%93-a-cidade-universal/ ), a Fundação Findhorn, na Escócia ( http://www.findhorn.org/aboutus/vision/ ; http://pt.wikipedia.org/wiki/Funda%C3%A7%C3%A3o_Findhorn ), as ecovilas no País de Gales (http://ahh.com.br/presite/?p=3358&fb_comment_id=fbc_5006770127538_699231_5006771019538) ou as comunidades integradas ao Instituto Visão Futuro, no interior do Estado de São Paulo (http://www.visaofuturo.org.br/parque/index.html ).

Vale esclarecer que estas comunidades não são ensimesmadas, ou seja, não vivem fechadas em si mesmas. Elas são abertas ao diálogo e interação com o restante da sociedade e promovem cursos e vivências para visitantes. Milhares de pessoas as visitam todos os anos. Elas também não funcionam com base em dogmas ou crenças místicas, e nem sob a liderança de "gurus". Na verdade existe um foco na busca dialética e conjunta do know-how necessário para a sustentabilidade e bem-estar, individual e comunitário, sob diversos aspectos (ambiental, psicológico, científico etc).

Apesar da pesquisa científica, em tais comunidades as pessoas vivem em contato com a natureza e não cultivam necessidades artificiais de consumo.

Visitei Auroville em fevereiro de 2010 e posso dizer que foi uma ótima experiência. Me fez acreditar novamente nos grupos humanos e no futuro da nossa espécie.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A ilusão do antropocentrismo e da inflação egóica


Por Augusto Mascarenhas 


Vale a pena assistir o vídeo abaixo de Mário Cortella sobre a arrogância humana. Após, sugiro ao leitor que dê uma pesquisada sobre o tema "biocentrismo" (ressalto que a definição contida na Wikipedia em português está simplesmente péssima. Sugiro, de início, este link: http://www.cenedcursos.com.br/antropocentrismo-biocentrismo-direito-animais.html ). A difusão desta nova visão faria muito bem para o planeta.

Necessário esclarecer, contudo, que o antropocentrismo teve grande importância histórica ao representar uma oposição à visão teocêntrica irracional predominante (mas não exclusiva) na Idade Média, visão esta que de certa forma "amarrou" por um tempo o progresso da filosofia e das ciências, sobretudo em razão dos empecilhos postos pela Igreja Católica à liberdade de expressão (nada que fosse divergente da “verdade revelada" na Bíblia, ou da visão dos "doutores" da Igreja poderia ser divulgado).

Mas, superada a fase do óbice teocêntrico, o antropocentrismo também passou a ser um problema, na medida em que a atenção exclusiva passou a ser dada às exigências e interesses imediatos do ser humano, em detrimento da sustentabilidade ambiental e do respeito às demais espécies vivas.

Portanto, a meu ver a adoção do novo paradigma biocêntrico é uma necessidade urgente, até mesmo para que seja possível a preservação da espécie humana no longo prazo. A sustentabilidade ambiental (pressuposto para a boa qualidade da vida humana) não é possível sem a manutenção da biodiversidade.


Vale esclarecer, sobretudo aos opositores do biocentrismo, que a ética biocêntrica não tem como pressuposto nem como consequência lógica um retrocesso com relação aos direitos fundamentais conquistados arduamente pela humanidade no decorrer da sua história. Pelo contrário, é mais um movimento de expansão de tais direitos, passando a abarcar também a esfera extra-humana.


Obs: ao contrário do que afirma Cortella no vídeo, não há ainda consenso científico sobre se o universo irá se retrair no futuro ou se continuará se expandindo indefinidamente.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A importância de um Poder Judiciário técnico, ético e produtivo

"Nos lugares onde o direito é impotente, a sociedade corre o risco de precipitar-se na anarquia; onde o poder não é controlado, corre o risco oposto, do despotismo." 

(BOBBIO, Norberto. O Tempo da Memória: De Senecute e outros escritos autobiográficos. 6. ed., Rio de Janeiro: Campus, 1997, p. 169)
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Daí a importância de um Poder Judiciário tecnicamente preparado, eficiente, independente e bem administrado. O que, infelizmente, ainda não existe no Brasil, como mostrou o recente levantamento de dados do Conselho Nacional de Justiça - CNJ (http://www.cnj.jus.br/images/metas_judiciario/metas_prioritarias_2010.pdf).


De qualquer modo, o primeiro passo para a melhoria das instituições é mostrar à população, do modo mais completo e transparente possível, o grau de eficiência das mesmas. E isto o CNJ está tentando fazer com relação ao Poder Judiciário (embora, ao analisar o relatório, eu tenha notado a possibilidade de que certos dados tenham sido fornecidos de modo distorcido por alguns Tribunais de origem). 


As metas fixadas pelo CNJ para o ano de 2011 podem ser vistas aqui: http://www.cnj.jus.br/compromissos . Destaco, neste texto, a declaração de que "Todo cidadão tem o direito de compreender quais são os compromissos firmados pelo Judiciário, e [de] cobrar o seu cumprimento". O próprio site do CNJ indica formas através das quais o cidadão pode se manifestar e interagir com este órgão.


Penso que as mídias interativas (cuja difusão é cada vez maior) são ótimos instrumentos à disposição da população para que esta divulgue as suas insatisfações quanto aos setores do Estado que não funcionam adequadamente (ou elogios e apoio quanto a iniciativas estatais que se mostrarem positivas).


A crítica popular nas mídias interativas, ao promover uma participação mais direta do cidadão nos assuntos estatais, pode atuar como importante vetor para o aperfeiçoamento da nossa democracia. 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Nietzsche, filosofia e vida

"Toda grande filosofia foi a confissão pessoal de seu autor"

Nietzsche

Ou seja, Nietzsche negava a distinção entre a filosofia de alguém e a sua vida.

(extraído de BUNNIN, Nicholas; TSUI-JAMES, E. P. [org.]. Compêndio de filosofia. 3ª ed., São Paulo: Edições Loyola, 2010, p. 893)

Voltaire e a liberdade de expressão

"Não concordo com nenhuma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o direito que tens de dizê-las."

Voltaire

A verdade, segundo Oscar Wilde

"A verdade pura e simples raramente é pura e nunca é simples"

Oscar Wilde